Os Mistérios de Eleusis – A Herança Iniciática da Grécia

Introdução

A Maçonaria especulativa, em seu desenvolvimento no século XVIII, buscou fontes de inspiração em diversos sistemas iniciáticos da antiguidade. Entre os mais respeitados estão os Mistérios de Eleusis, celebrados na Grécia em honra à deusa Ceres. Colin Dyer observa que historiadores maçônicos daquela época, como George Downing em 1797, já apontavam a semelhança notável entre os ritos alegóricos de Eleusis e os praticados nas Lojas Maçônicas.

A figura de Orfeu é central nesta conexão. Segundo Rizzardo da Camino, Orfeu trouxe os mistérios do Egito para a Grécia, fundando instituições como o matrimônio e proclamando que a dignidade não deveria ser hereditária, mas baseada na sabedoria e prudência. Este princípio de igualdade é o que une os Mistérios de Eleusis à filosofia maçônica moderna: a convicção de que a desigualdade de forças entre os homens deve ser compensada pela igualdade de seus direitos.

Os Mistérios de Eleusis eram ritos dedicados à renovação da vida e à busca pela imortalidade da alma. Dyer menciona que o surgimento de obras acadêmicas sobre o tema no final do século XVIII influenciou profundamente os autores maçônicos, que viram nos ritos de Ceres e Baco símbolos da emancipação política e moral. Embora não haja uma prova histórica de sucessão contínua, a essência espiritual oculta na fraseologia maçônica é considerada elementar e extremamente antiga.

A doutrina de Orfeu, que permeava os Mistérios de Eleusis, focava na unidade de Deus. Orfeu ensinava que existe apenas um só poder e uma só divindade que criou o vasto céu e tudo o que nele gira. Este monoteísmo, velado por alegorias solares e mitológicas, é o mesmo que a Maçonaria professa sob o título de Grande Arquiteto do Universo. Assim, os iniciados gregos e os maçons compartilham o mesmo objetivo: a busca pela harmonia com o Criador.

Para Da Camino, a palavra poderosa de Orfeu transformou a rusticidade dos homens em uma “sociedade fecunda”. Da mesma forma, a Maçonaria busca, através de seus símbolos e alegorias, desbastar a pedra bruta do caráter humano para construir um “Monumento Moral”. A iniciação em Eleusis, assim como a iniciação maçônica, visava proporcionar ao candidato um novo entendimento sobre a vida e o destino humano.

Em conclusão, os Mistérios de Eleusis representam a transição da ignorância para o esclarecimento. O legado da Grécia Antiga na Maçonaria reafirma que o conhecimento das leis da natureza e a prática constante da virtude são os únicos caminhos para a paz inalterável e o progresso da humanidade. Estudar Eleusis é reconhecer que, embora as formas de iniciação variem através dos séculos, a busca pela Luz da Verdade permanece o fio condutor da experiência humana.

 

Referências Bibliográficas 

CAMINO, Rizzardo da. Simbolismo do Primeiro Grau: Aprendiz. São Paulo: Madras, 2001.

DYER, Colin. O Simbolismo na Maçonaria. Tradução de Sérgio Cernea. São Paulo: Madras, 2006.

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