Introdução
A influência da civilização nilótica sobre a ritualística e a filosofia maçônica é um dos temas mais recorrentes nos estudos esotéricos. A Maçonaria no Egito, ou mais precisamente, o “Movimento” precursor que ali se estabeleceu, representou um período de agigantamento para os ideais de liberdade de consciência. Rizzardo da Camino afirma que, em sua marcha do Oriente para o Ocidente, o Movimento encontrou no Egito uma terra fértil, plena de cultos e liturgias que valorizavam a busca pela divindade.
A Maçonaria no Egito antigo atuou como uma força de resistência contra teocracias injustas e sistemas politeístas opressores. O Movimento buscava a conquista do monoteísmo através do culto ao Sol, o astro benfeitor por excelência. Personagens históricos como o rei Menés são citados por Da Camino como protetores deste Movimento, utilizando o poder real para apoiar um sistema de instrução que aperfeiçoava as leis e civilizava os homens.
O simbolismo egípcio era fundamentado na luta eterna entre a Luz e as Trevas, personificada no mito de Ísis e Osíris. No entanto, Da Camino adverte que não se deve confundir a simbologia maçônica com o simbolismo sacerdotal egípcio, que muitas vezes era usado para manter o povo em superstição e temor. Os iniciados da Maçonaria no Egito interpretavam os símbolos de forma racional e moral, focando no desenvolvimento das potencialidades humanas.
Embora a Maçonaria moderna utilize a arquitetura como sua principal alegoria, Da Camino observa que o Movimento chegou ao Egito sem se preocupar inicialmente com a engenharia física. Foi ao contemplar a capacidade artística egípcia que o Movimento adotou as regras áureas da construção, tornando-se, em essência, “pedreiro livre”. O Templo de Salomão, séculos mais tarde, seria o herdeiro direto desta ciência de construir, fundindo a técnica material com o propósito espiritual.
A figura da Esfinge permanece como o maior emblema da Maçonaria no Egito. Segundo Da Camino, ela simboliza o próprio enigma da Ordem: algo palpável e presente, mas cujas origens reais se perdem na “noite dos tempos”. Inscrições da IV Dinastia já descreviam a Esfinge como incalculavelmente velha, reforçando a ideia de que a busca pela verdade e pelo autoconhecimento é uma herança milenar da humanidade.
Ao estudar a Maçonaria no Egito, o maçom contemporâneo reconhece que sua ritualística não é uma criação moderna, mas um eco dos mistérios celebrados às margens do Nilo. O uso de palavras de passe, sinais de reconhecimento e ambientes fechados para instrução são práticas que remontam aos colégios iniciáticos egípcios, onde se ensinava que o homem deve desbastar sua pedra bruta para tornar-se um “Homem-luz”. A herança egípcia na Maçonaria é a prova de que a luz da sabedoria nunca se apaga, apenas muda de cenário ao longo dos milênios.
Referências Bibliográficas
CAMINO, Rizzardo da. Simbolismo do Primeiro Grau: Aprendiz. São Paulo: Madras, 2001.





