O Duque de Sussex, príncipe Augustus Frederick, filho do rei Jorge III da Grã-Bretanha, foi a figura escolhida para presidir o momento mais importante da Maçonaria inglesa no século XIX: a união entre as Grandes Lojas rivais dos “Antigos” e dos “Modernos”, que deu origem à Grande Loja Unida da Inglaterra.
Veja neste artigo quem foi o Duque de Sussex e por que ele se tornou o primeiro Grão-Mestre da Ordem unificada.

Um príncipe entre dois ramos rivais
Desde o fim do século XVIII, a Maçonaria inglesa estava dividida entre duas Grandes Lojas rivais: a dos “Modernos” (fundada em 1717) e a dos “Antigos” (formada em 1751, com rituais e práticas distintas). O Duque de Sussex liderava a Grande Loja dos Modernos, enquanto seu irmão, o Duque de Kent, liderava os Antigos.
A União de 1813 e a Grande Loja Unida
Em 27 de dezembro de 1813, as duas Grandes Lojas se fundiram, formando a Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE). O Duque de Sussex foi eleito o primeiro Grão-Mestre da nova instituição, cargo que ocupou por quase trinta anos, até sua morte em 1843, supervisionando a padronização de rituais e a consolidação da Maçonaria inglesa moderna.
O legado do seu Grão-Mestrado
- Padronização ritual: sob sua liderança, formou-se a Lodge of Reconciliation, encarregada de unificar práticas rituais divergentes.
- Longevidade no cargo: seus quase trinta anos à frente da UGLE deram estabilidade institucional à Ordem recém-unificada.
- Prestígio real: sua condição de príncipe reforçou o prestígio social da Maçonaria inglesa do século XIX.
Um nome essencial para entender a Maçonaria moderna
Compreender o papel do Duque de Sussex ajuda a entender por que a Maçonaria inglesa, hoje referência mundial, tem uma estrutura unificada desde 1813 — um feito que exigiu décadas de negociação entre os dois ramos rivais.
O Duque de Sussex e a construção da Maçonaria moderna
O longo grão-mestrado do Duque de Sussex não se resumiu à união de 1813. Ele presidiu a fase em que a Grande Loja Unida da Inglaterra definiu sua estrutura administrativa, consolidou o Livro de Constituições e reorganizou as Grandes Lojas Provinciais. Também se envolveu na organização do Arco Real, que em 1817 ganhou um Supremo Grande Capítulo unificado, vinculado à nova Grande Loja.
Homem de interesses intelectuais, o duque reuniu uma das maiores bibliotecas particulares da Inglaterra, com milhares de volumes de teologia, incluindo muitas bíblias raras. Esse perfil de estudioso combinava com o esforço de dar à Maçonaria inglesa um caráter mais universal, aberto a homens de diferentes confissões religiosas.
O memorial do Freemasons’ Hall
Após sua morte, em 1843, os maçons ingleses homenagearam o duque com uma estátua, e seu nome continua associado ao Freemasons’ Hall, em Londres, sede da Grande Loja Unida. Por vontade própria, ele foi sepultado no cemitério público de Kensal Green, e não nas capelas reservadas à família real.
Por que o Duque de Sussex importa para o maçom brasileiro
Muitas práticas da Maçonaria inglesa padronizadas sob o seu comando — como a organização dos três graus simbólicos e o modelo de Grandes Lojas Provinciais — influenciaram, direta ou indiretamente, as potências de tradição anglo-saxônica no mundo inteiro. Conhecer esse período ajuda a entender diferenças entre ritos praticados no Brasil, como o Rito de Emulação e o Rito Escocês Antigo e Aceito.
Perguntas frequentes
Quem foi o Duque de Sussex? Augustus Frederick, príncipe filho do rei Jorge III da Grã-Bretanha e primeiro Grão-Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra.
Quando ocorreu a união que ele presidiu? Em 27 de dezembro de 1813, unindo as Grandes Lojas dos Antigos e dos Modernos.
Por quanto tempo o Duque de Sussex foi Grão-Mestre? Por quase trinta anos, até sua morte em 1843.
Conclusão
O Duque de Sussex é a figura central que tornou possível a unificação da Maçonaria inglesa em 1813, moldando a estrutura que até hoje organiza a Ordem na Inglaterra. Veja outros termos no Dicionário Maçônico.
Referências bibliográficas
- GOULD, Robert Freke. História da Maçonaria.
- MACKEY, Albert G. Enciclopédia da Maçonaria.
Fonte de referência histórica: Augusto Frederico, Duque de Sussex (Wikipédia).
