Introdução: O Sustento Invisível do Templo
Na arquitetura sagrada da Maçonaria, o Templo não é suportado apenas por paredes físicas, mas por uma tríade de forças espirituais e filosóficas conhecidas como as Três Grandes Colunas. Representadas pelas ordens arquitetónicas Jónica, Dórica e Coríntia, estas colunas personificam a Sabedoria, a Força e a Beleza. Para o Aprendiz Maçom, compreender este simbolismo é entender os pilares sobre os quais a sua própria reforma íntima deve ser edificada.
Neste artigo, analisaremos a densidade filosófica desta estrutura e como a interação entre estas três potências é essencial para a estabilidade de qualquer construção humana, seja ela um edifício, uma sociedade ou o carácter de um indivíduo.
A Sabedoria: O Pilar da Concepção (Coluna Jónica)
A primeira coluna, situada no Oriente e representada pelo Venerável Mestre, é a Sabedoria. Na simbologia clássica, a ordem Jónica, com as suas volutas que lembram pergaminhos, está ligada à inteligência e ao planeamento.
A Sabedoria é a faculdade que permite idealizar. Sem ela, qualquer esforço é cego. No desbaste da pedra bruta, a Sabedoria é o que guia o cinzel, permitindo que o iniciado identifique quais arestas devem ser removidas. Ela representa a luz da razão iluminada pelo espírito, essencial para que o maçom possa “conceber” projetos que visem o bem comum e a evolução da humanidade.
A Força: O Pilar da Execução (Coluna Dórica)
Representada pelo Primeiro Vigilante no Ocidente, a coluna da Força utiliza a ordem Dórica — robusta, sólida e sem adornos desnecessários. Se a Sabedoria idealiza, a Força executa.
Na Maçonaria, a “Força” não se refere ao vigor físico ou à imposição autoritária, mas sim à força de vontade e à perseverança. É a energia necessária para manter a construção em pé perante as tempestades da vida e as tentações dos vícios. Sem a Força, a Sabedoria permanece no plano das ideias estéreis. É o maço que golpeia com decisão, transformando o pensamento em ação concreta e ética.
A Beleza: O Pilar do Adorno (Coluna Coríntia)
Por fim, a terceira coluna, situada no Sul e representada pelo Segundo Vigilante, é a Beleza, sob a ordem Coríntia, conhecida pela sua elegância e pelos seus capitéis adornados com folhas de acanto.
A Beleza tem a função de adornar todas as ações humanas. Na filosofia maçónica, um ato sábio e forte deve ser também belo, ou seja, deve ser realizado com harmonia, bondade e estética moral. A Beleza suaviza a Força e dignifica a Sabedoria. É o equilíbrio que impede que a Força se torne tirania e que a Sabedoria se torne arrogância fria. Ela representa a harmonia que deve reinar entre todos os maçons.
A Trindade em Equilíbrio
O ensinamento vital das Três Grandes Colunas da Maçonaria é que nenhuma delas é autossuficiente. Um templo com apenas Sabedoria seria uma utopia; com apenas Força, uma prisão; com apenas Beleza, uma fachada vazia.
O iniciado aprende que o progresso real exige que estas três forças atuem simultaneamente. No “levantar templos à virtude”, o maçom deve ser o arquiteto (Sabedoria), o construtor (Força) e o decorador (Beleza) da sua própria existência.
Conclusão: Tornando-se um Pilar Vivo
Ao estudar as colunas que sustentam a Loja, o Aprendiz é convidado a tornar-se, ele próprio, um pilar de sustentação para a sociedade. Aplicar a Sabedoria no discernimento, a Força na retidão de carácter e a Beleza na fraternidade é a verdadeira “Arte Real”. Quando estas colunas estão firmes no interior do homem, ele torna-se inabalável perante as adversidades do mundo profano.
Referência Bibliográfica (ABNT)
D’ELIA JUNIOR, Raymundo. Maçonaria: 100 Instruções de Aprendiz. São Paulo: Madras, 2007.