Introdução
Na tradição maçônica, as figuras bíblicas são frequentemente interpretadas como arquétipos de liderança e construção moral. A figura de Moisés na Maçonaria é vista como a de um “técnico da libertação humana”, cuja preparação esteve sob a influência direta do antigo Movimento iniciado no Egito. Rizzardo da Camino explica que a missão de Moisés era pautada em dois caminhos fundamentais: a adoração de um só Deus e a libertação do homem de toda forma de escravidão.
A jornada do povo hebreu saindo do Egito rumo à Terra Prometida é a alegoria perfeita para a caminhada do neófito. Na visão de Moisés na Maçonaria, a fuga do Egito não foi apenas um evento histórico, mas um trabalho planejado com paciência, sigilo e profundos conhecimentos de psicologia. Para o maçom, a “Canaã” bíblica simboliza o encontro com a Verdadeira Luz, meta de todo iniciado que busca transmutar-se do estado profano para o estado de sabedoria.
Um dos maiores legados de Moisés na Maçonaria é o recebimento do Decálogo no Monte Sinai. Da Camino descreve os Dez Mandamentos como o “milagre da síntese”, estabelecendo as bases de um governo onde o trabalho é imposto a todos e não há distinção de castas ou nobreza hereditária. Estas leis são vistas como a expressão máxima de uma conduta social justa, que proíbe a opressão e a cobiça.
A influência de Moisés na Maçonaria estende-se à própria arquitetura física da Loja. O Tabernáculo, construído sob orientações divinas dadas a Moisés, possuía um eixo leste-oeste que foi preservado nas Lojas Maçônicas modernas. Colin Dyer destaca que, na Maçonaria inglesa pós-1813, Moisés e o rei Salomão passaram a ser representados pelas duas grandes linhas paralelas que limitam o ponto no interior de um círculo, simbolizando os limites do dever do maçom.
Além do aspecto legislativo, Moisés na Maçonaria personifica a luta contra a tirania. Da Camino afirma que a Maçonaria se faz presente onde quer que a escravidão se manifeste. A missão de Moisés ensina que a liberdade exige disciplina e obediência a leis morais superiores. Embora Moisés não tenha entrado na Terra Prometida física por “rebelar-se e não manter seu equilíbrio”, sua liderança espiritual permanece como o esteio seguro de todas as transições históricas da Ordem.
Conclui-se que o estudo de Moisés na Maçonaria revela a importância da ordem e da justiça na construção da sociedade. O maçom, ao observar o exemplo de Moisés, aprende que sua obra deve ser pautada na verdade, na liberdade e na lei moral. Moisés não é apenas um personagem do passado, mas um farol constante que guia a Instituição no combate à ignorância e na promoção do bem-estar da humanidade.
Referências Bibliográficas
CAMINO, Rizzardo da. Simbolismo do Primeiro Grau: Aprendiz. São Paulo: Madras, 2001.
DYER, Colin. O Simbolismo na Maçonaria. Tradução de Sérgio Cernea. São Paulo: Madras, 2006.





