Introdução
O binômio Trevas e Luz na Maçonaria constitui a espinha dorsal de toda a experiência iniciática. Na Maçonaria Simbólica, estes termos não se referem apenas ao contraste físico, mas representam estados de consciência: as trevas simbolizam a ignorância profana e a luz simboliza o conhecimento espiritual e a verdade. Todo candidato ingressa na Ordem em um estado de “escuridão pessoal”, representado pela venda nos olhos.
Colin Dyer explica que existem três razões fundamentais para esta escuridão imposta na iniciação. Primeiro, por uma questão prática de sigilo, para que o neófito não conheça o recinto da Loja antes de seu juramento. Segundo, para que o “coração possa imaginar antes que os olhos vejam”. E a terceira razão, a mais simbólica, é pedagógica: lembrar ao maçom de manter o mundo profano em trevas em relação aos mistérios da Ordem até que eles sejam legalmente transmitidos. Assim, as Trevas e Luz na Maçonaria demarcam a fronteira entre o sagrado e o comum.
O momento da “restituição da luz” é o ponto culminante do ritual de iniciação. Rizzardo da Camino associa este ato ao “Sit Lux” (Haja Luz) do Gênesis, marcando o nascimento de um novo homem. Esta luz não é meramente física; ela é um símbolo de oportunidade e esclarecimento intelectual. O agora neófito passa a ter a chance de descobrir as “Três Grandes Luzes” da Maçonaria, que o guiarão em sua jornada moral.
O simbolismo de Trevas e Luz na Maçonaria também se manifesta na geografia da Loja. O Norte é tradicionalmente associado à escuridão e à ignorância, enquanto o Leste (Oriente) é a fonte da luz e da sabedoria, onde o Venerável Mestre se posiciona para instruir os irmãos. O maçom é, portanto, um buscador que caminha constantemente em direção ao leste para obter “mais luz” e aperfeiçoar sua pedra bruta.
No Terceiro Grau, o dualismo de Trevas e Luz na Maçonaria atinge sua maior profundidade dramática. A Loja é mergulhada em escuridão total para simbolizar as trevas da morte. No entanto, uma tênue luz permanece no Oriente, apontando para a esperança na imortalidade e ressurreição espiritual. Este ciclo ensina que as trevas são uma fase necessária para que a Luz da Sabedoria brilhe com maior intensidade.
Rizzardo da Camino destaca que o Pavimento Mosaico, com seus quadrados brancos e pretos, é o lembrete constante de que o homem caminha entre esses opostos em cada ação de sua vida. O objetivo do maçom é transcender este dualismo, dominando sua natureza inferior para que a luz de seu “Eu interno” possa irradiar benefícios a todos. O binômio Trevas e Luz na Maçonaria é, em última análise, um convite ao autoaperfeiçoamento incessante, transformando sombras em virtude.
Referências Bibliográficas (Padrão ABNT)
CAMINO, Rizzardo da. Simbolismo do Primeiro Grau: Aprendiz. São Paulo: Madras, 2001.
DYER, Colin. O Simbolismo na Maçonaria. Tradução de Sérgio Cernea. São Paulo: Madras, 2006.





