Se José Bonifácio é lembrado como o Patriarca da Independência, Gonçalves Ledo foi o seu grande rival — e, para muitos historiadores, o verdadeiro motor maçônico do Sete de Setembro. Jornalista, orador e líder da ala liberal, foi ele quem articulou, de dentro do Grande Oriente do Brasil, a campanha que levou D. Pedro a romper com Portugal.
Veja neste artigo quem foi esse tribuno e por que sua disputa com Bonifácio marcou o primeiro capítulo da Maçonaria brasileira.
Quem foi Gonçalves Ledo
Joaquim Gonçalves Ledo (1781–1847) foi um publicista carioca, redator do Revérbero Constitucional Fluminense, jornal que fazia campanha aberta pela causa constitucional e pela autonomia do Brasil. Homem de imprensa e de tribuna, representava a ala liberal e popular do movimento — em contraste com o aristocrático José Bonifácio.
Gonçalves Ledo e o Grande Oriente do Brasil
Em junho de 1822, Gonçalves Ledo esteve entre os fundadores do Grande Oriente do Brasil, a primeira potência maçônica do país, da qual foi a alma política. Foi nas sessões do GOB que se articulou a adesão de D. Pedro à causa — o príncipe foi iniciado em agosto de 1822 com o nome simbólico de Guatimozim — e que se preparou o ambiente para a ruptura com as Cortes de Lisboa.
O duelo com José Bonifácio
- Projetos opostos: Ledo defendia uma monarquia constitucional de base popular; Bonifácio, uma independência conduzida pelo alto, com forte autoridade monárquica.
- Disputa pelo GOB: os dois mediram forças pelo controle da potência, com Bonifácio como Grão-Mestre e Ledo como principal articulador.
- O desfecho: vencida a Independência, o grupo de Bonifácio prevaleceu; Ledo foi perseguido e precisou exilar-se em 1822–1823, retornando depois à vida pública como deputado.
O legado do tribuno
A historiografia reconhece em Gonçalves Ledo o principal operador político da independência no plano maçônico: a iniciativa da aclamação de D. Pedro como Defensor Perpétuo, a campanha de imprensa e a articulação das adesões passaram por suas mãos. Sua rivalidade com Bonifácio lembra que a Maçonaria brasileira nasceu plural — abrigando, sob as mesmas colunas, projetos distintos de país.
Perguntas frequentes
Quem foi Gonçalves Ledo na Maçonaria? Gonçalves Ledo foi um dos fundadores do Grande Oriente do Brasil em 1822 e o principal articulador maçônico da Independência, líder da ala liberal que disputou a direção do movimento com José Bonifácio.
Qual era a diferença entre Ledo e José Bonifácio? Ledo defendia uma monarquia constitucional de base popular e liberal; Bonifácio queria uma independência conduzida pelo alto, com autoridade monárquica forte. A disputa se travou dentro do próprio GOB.
O que aconteceu com Gonçalves Ledo depois da Independência? Derrotado politicamente, foi perseguido e exilou-se por um período; retornou depois à vida pública e foi deputado, morrendo em 1847.
Conclusão
Gonçalves Ledo foi o tribuno da Independência: o homem que fez da imprensa e da Loja os instrumentos da emancipação brasileira. Ao lado — e contra — José Bonifácio, mostra que o Grande Oriente nasceu como espaço de debate real entre projetos de nação. Veja outros termos no Dicionário Maçônico.
Referências bibliográficas
- GOULD, Robert Freke. História da Maçonaria.
- MACKEY, Albert G. Enciclopédia da Maçonaria.
- CASTELLANI, José; CARVALHO, William A. História do Grande Oriente do Brasil.
Fonte de referência histórica: Maçonaria (Wikipédia).
