Introdução: Além do Portal do Templo
Uma das maiores responsabilidades de um iniciado não ocorre durante as reuniões rituais, mas no momento em que ele cruza o umbral da Loja de volta à rua. Na terminologia maçónica, o termo “profano” (do latim pro fanum, “diante do templo”) designa tudo o que está fora do espaço sagrado.
Mas como deve ser a conduta de o Maçom e o mundo profano? A Maçonaria não é um refúgio para isolamento, mas uma escola de preparação para a vida pública. Neste artigo, discutiremos como transpor os valores do esquadro e do compasso para o quotidiano da sociedade contemporânea.
O Papel do Maçom na Sociedade
O livro 100 Instruções de Aprendiz deixa claro que a Maçonaria não deseja que os seus membros se tornem eremitas filosóficos. Pelo contrário, espera-se que o maçom seja um elemento ativo e transformador na sua comunidade.
A relação entre o Maçom e o mundo profano baseia-se no exemplo. O iniciado deve ser reconhecido pelas suas ações e não apenas pelas suas palavras ou insígnias. Isso implica em:
Integridade Profissional: Ser um profissional de confiança, ético e justo com subordinados e superiores.
Cidadania Ativa: Cumprir as leis do país e colaborar para o progresso da pátria, combatendo a ignorância e a tirania.
Discrição: Manter a reserva sobre os assuntos da Ordem, não por vaidade, mas por respeito à tradição e para evitar interpretações erróneas de quem ainda não conhece a filosofia.
A Família: O Primeiro Templo
Antes de tentar mudar o mundo, o maçom tem o dever de cuidar do seu círculo mais íntimo. A instrução maçónica enfatiza que a família é a base da sociedade. Um homem que falha com os seus deveres de pai, filho ou esposo não pode ser considerado um “pedreiro-livre” completo.
No mundo profano, o lar do maçom deve ser um reflexo da harmonia que ele encontra em Loja. A paciência, o amor e o suporte aos familiares são as primeiras pedras polidas que o iniciado deve apresentar à humanidade.
O Desafio da Intolerância
O mundo profano é frequentemente marcado por divisões políticas, religiosas e sociais. O grande desafio na relação entre o Maçom e o mundo profano é manter a neutralidade e a fraternidade mesmo em ambientes hostis.
O maçom deve ser um mediador, alguém que procura pontos de união onde outros veem apenas conflitos. Ao praticar a tolerância, o maçom leva a “Luz” para ambientes obscurecidos pelo ódio ou pelo preconceito.
O “Salário” no Mundo Profano
Diferente do simbolismo das moedas rituais, o verdadeiro salário do maçom fora do templo é o reconhecimento e o respeito. De acordo com Raymundo D’Elia Junior, a Loja consegue impor-se na comunidade através do exemplo de vida dos seus obreiros.
Se os cidadãos observam que um determinado indivíduo é honrado, caridoso e equilibrado, e descobrem que ele é maçom, a instituição como um todo é dignificada. Esse é o objetivo final: que o mundo profano seja contagiado positivamente pelas virtudes cultivadas em segredo.
Conclusão: Um Elo entre Dois Mundos
Em resumo, não deve haver uma separação entre o homem que veste o avental e o homem que veste o fato de trabalho. A ética maçónica é indivisível. Ser maçom é um estado de consciência que deve guiar cada decisão, desde a mais simples compra no mercado até à gestão de grandes instituições.
O Maçom e o mundo profano devem coexistir numa relação de serviço: o maçom retira do templo a força moral e devolve ao mundo o trabalho útil e a conduta exemplar.
Referência Bibliográfica (ABNT)
D’ELIA JUNIOR, Raymundo. Maçonaria: 100 Instruções de Aprendiz. São Paulo: Madras, 2007.