Mozart Maçom: a Iniciação em Viena e o Simbolismo de A Flauta Mágica

Mozart Maçom: a Iniciação em Viena e o Simbolismo de A Flauta Mágica

Em 14 de dezembro de 1784, Wolfgang Amadeus Mozart, então com 28 anos, foi iniciado Aprendiz na Loja Zur Wohltätigkeit (“Da Beneficência”), em Viena. Nos sete anos seguintes, até sua morte, ele compôs cantatas, canções e uma música fúnebre para a Loja e, em 1791, estreou A Flauta Mágica, a ópera que muitos consideram o mais famoso testemunho artístico da Maçonaria. Este é um dos poucos casos em que se pode ouvir, literalmente, o que a Ordem significou para um gênio.

Este artigo apresenta a trajetória maçônica de Mozart, o contexto da Viena de José II, as obras que escreveu para a Loja e o que A Flauta Mágica mostra, sem entrar no que é reservado.

A iniciação e a Loja

Mozart foi proposto pelo Barão Otto von Gemmingen, Venerável da Zur Wohltätigkeit, uma Loja pequena ligada à Zur wahren Eintracht (“Da Verdadeira Concórdia”), a mais intelectual de Viena, dirigida pelo cientista Ignaz von Born. Foi nesta que Mozart passou a Companheiro, em 7 de janeiro de 1785, e onde se tornou Mestre nas semanas seguintes. Seu pai, Leopold, foi iniciado em abril de 1785, com o filho presente; Joseph Haydn entrou na mesma época.

A Viena de então vivia o reformismo do imperador José II, que tolerava a Maçonaria mas a controlava. Em dezembro de 1785 ele reduziu as Lojas da cidade a três, e a de Mozart fundiu-se na Zur neugekrönten Hoffnung (“Da Esperança Recém-Coroada”), à qual ele pertenceu até morrer.

A música maçônica de Mozart

  • Gesellenreise, K. 468 (1785): canção composta para a passagem de seu pai a Companheiro, “a viagem do Companheiro”.
  • Maurerische Trauermusik, K. 477 (1785): a Música Fúnebre Maçônica, escrita para a sessão em memória de dois irmãos, considerada uma de suas obras mais profundas.
  • Cantatas como Die Maurerfreude, K. 471 (1785), em homenagem a Ignaz von Born, e Laut verkünde unsre Freude, K. 623 (1791), sua última obra concluída, escrita para a inauguração do templo da Loja, semanas antes de morrer.

A Flauta Mágica

Estreada em 30 de setembro de 1791, com libreto de Emanuel Schikaneder, também maçom, A Flauta Mágica conta a jornada do príncipe Tamino, que sai para resgatar Pamina e acaba submetendo-se às provas do templo de Sarastro. A ópera é lida há dois séculos como uma alegoria da iniciação: a passagem das trevas à luz, as provas do silêncio, da água e do fogo, o número três repetido na abertura e nos acordes, os sacerdotes que decidem admitir o candidato, o casal que atravessa junto a provação final.

Nada disso revela conteúdo reservado. Mozart e Schikaneder usaram a linguagem dos símbolos, não a dos segredos: a ópera fala de virtude, sabedoria e fraternidade, e opõe a razão de Sarastro à vingança da Rainha da Noite. Como alegoria, aproxima-se do que se descreve em a jornada do herói e a iniciação. Como música, é o próprio ideal da Ordem posto em som.

Mozart e a Loja das artes

O caso de Mozart lembra o da Loja das Nove Irmãs, em Paris: no século XVIII, as Lojas foram, para artistas e cientistas, um dos poucos espaços em que nobres e plebeus se encontravam em igualdade. Para um músico que passou a vida disputando o favor de príncipes, a Loja oferecia algo raro: ser tratado como irmão.

Por que isso importa para o Aprendiz e o Companheiro

Mozart foi Aprendiz e Companheiro antes de ser Mestre, e escreveu música para as duas etapas. Sua Gesellenreise é, talvez, a única obra de um grande compositor dedicada ao Companheiro. O obreiro que a ouve percebe que a Maçonaria não foi, para ele, um clube: foi tema, inspiração e consolo. E A Flauta Mágica mostra como se pode falar da Ordem ao mundo inteiro sem trair nada do que se prometeu guardar.

Perguntas frequentes

Mozart foi maçom? Sim. Mozart foi iniciado em 14 de dezembro de 1784 na Loja Zur Wohltätigkeit, em Viena, passou a Companheiro em janeiro de 1785 e permaneceu maçom ativo até morrer, em dezembro de 1791.

A Flauta Mágica é uma ópera maçônica? É uma alegoria da iniciação, escrita por dois maçons, Mozart e Schikaneder, usando símbolos como a jornada das trevas à luz, as provas e o número três. Não revela nada do que é reservado.

Que músicas Mozart escreveu para a Maçonaria? Entre outras, a Gesellenreise (K. 468), a Música Fúnebre Maçônica (K. 477), a cantata Die Maurerfreude (K. 471) e a cantata Laut verkünde unsre Freude (K. 623), sua última obra concluída.

Conclusão

Mozart deu à Maçonaria o que nenhum outro irmão deu: uma trilha sonora. Da canção do Companheiro à Flauta Mágica, sua obra mostra a Ordem como ele a viveu, um caminho de provas rumo à luz, entre irmãos iguais. Para o Aprendiz e o Companheiro, é um convite a ouvir o que estudam. Outros nomes da história da Ordem estão no Dicionário Maçônico.

Referências bibliográficas

  • CHAILLEY, Jacques. La Flûte enchantée, opéra maçonnique. Paris: Robert Laffont, 1968.
  • THOMSON, Katharine. The Masonic Thread in Mozart. Londres: Lawrence & Wishart, 1977.
  • SOLOMON, Maynard. Mozart: A Life. Nova York: HarperCollins, 1995.
  • MACKEY, Albert G. Enciclopédia da Maçonaria.

Fonte de referência histórica: Maçonaria (Wikipédia).

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