Goethe Maçom: a Loja Amália de Weimar e o Poema “Symbolum”

Goethe Maçom: a Loja Amália de Weimar e o Poema "Symbolum"

Na véspera de São João de 1780, Johann Wolfgang von Goethe, com 30 anos e já famoso pelo Werther, foi iniciado na Loja Amália, em Weimar. Ficaria maçom até a morte, em 1832: cinquenta e dois anos de pertencimento, celebrados pela Loja com uma festa de jubileu em 1830. Do maior poeta da língua alemã a Ordem recebeu, além da presença, um poema, Symbolum, que muitas Lojas do mundo ainda leem como síntese do que significa ser maçom.

Este artigo apresenta a iniciação de Goethe, sua vida na Loja Amália, o longo período em que a Loja ficou fechada, o jubileu de 1830 e o poema que deixou para os irmãos.

A iniciação em Weimar

Goethe chegara a Weimar em 1775, a convite do jovem duque Carlos Augusto, e logo se tornara ministro do pequeno ducado. Em fevereiro de 1780 pediu admissão à Loja Amália, fundada em 1764 e batizada em homenagem à duquesa Ana Amália, mãe do duque. Em carta ao Venerável, explicou sem rodeios: queria estar mais próximo das pessoas que respeitava, e a Loja era o lugar em que o convívio não dependia da etiqueta da corte. Foi iniciado em 23 de junho de 1780, passou a Companheiro em 23 de junho de 1781 e a Mestre em 2 de março de 1782. O duque Carlos Augusto foi iniciado na mesma Loja, em 1782, com Goethe presente.

A Loja que fechou por 26 anos

Em 1782, no auge das disputas entre sistemas rivais que agitavam a Maçonaria alemã, a Loja Amália suspendeu os trabalhos. Só voltou a se reunir em 1808, sob um novo sistema ritual reformado por Friedrich Ludwig Schröder, mais simples e próximo da tradição inglesa dos três graus. Goethe participou da reabertura, frequentou a Loja renovada e viu nela a forma que mais lhe agradava: sem graus superiores, sem lendas cavaleirescas, concentrada na moral e na fraternidade.

Symbolum: o poema para a Loja

Em 1815 Goethe escreveu, para uma sessão da Loja Amália, o poema conhecido como Symbolum. Seus versos falam da vida do pedreiro como a vida de todos os homens: “A obra do pedreiro / assemelha-se à vida”, e do dever de seguir adiante entre o que se vê e o que permanece oculto. O poema termina com um apelo à coragem e à confiança: as vozes dos mestres e dos espíritos chamam o obreiro a não deixar de trabalhar. É uma das raras vezes em que um grande poeta explicou, em linguagem pública, o que a Loja lhe ensinava, e por isso o texto é lido e citado em Lojas de vários países.

O jubileu de 1830

Em 23 de junho de 1830, cinquenta anos depois da iniciação, a Loja Amália ofereceu a Goethe uma festa de jubileu. Ele agradeceu com um poema de gratidão e, no mesmo ano, ainda escreveu versos para a Loja em memória de um irmão. Morreu em março de 1832, e a Loja realizou sessão fúnebre em sua homenagem.

O que Goethe via na Maçonaria

Goethe não era um entusiasta de rituais nem de mistérios; desconfiava dos altos graus e das lendas templárias que enchiam a Maçonaria alemã do seu tempo. O que valorizava era o encontro entre homens de condições diferentes num espaço de igualdade e o ideal de formação pessoal, o mesmo que dá forma ao seu romance Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister. Sua Maçonaria era a dos três graus simbólicos, a mesma que o Aprendiz e o Companheiro conhecem, e sua leitura dela lembra a de outros homens das Luzes, como Voltaire: um lugar de razão, tolerância e fraternidade.

Por que isso importa para o Aprendiz e o Companheiro

A trajetória de Goethe é um argumento contra a pressa. Ele levou um ano de Aprendiz a Companheiro, viveu 26 anos sem Loja aberta e, ainda assim, considerou a Maçonaria parte de si até o fim. O que o segurou não foi cerimônia nem grau, foi a ideia de que a vida é uma obra a construir entre irmãos. É a mesma lição dos deveres do Aprendiz, dita por quem sabia escrever.

Perguntas frequentes

Goethe foi maçom? Sim. Goethe foi iniciado em 23 de junho de 1780 na Loja Amália, em Weimar, passou a Companheiro em 1781 e a Mestre em 1782, e permaneceu maçom por 52 anos, até a morte em 1832.

O que é o poema Symbolum? É o poema que Goethe escreveu em 1815 para a Loja Amália, comparando a obra do pedreiro à vida humana e exortando o obreiro a trabalhar com coragem entre o visível e o oculto. É lido em Lojas de vários países.

Goethe defendia os altos graus? Não. Preferia a Maçonaria dos três graus simbólicos, sem lendas cavaleirescas, e apoiou a reforma ritual de Schröder adotada pela Loja Amália em 1808.

Conclusão

Goethe deixou à Maçonaria um poema e um exemplo: o de um homem que viu na Loja um lugar de formação, não de mistério, e que a manteve por meio século. Para o Aprendiz e o Companheiro, Symbolum continua sendo uma das melhores respostas à pergunta sobre o que se faz numa Loja. Outros nomes da história da Ordem estão no Dicionário Maçônico.

Referências bibliográficas

  • GOETHE, Johann Wolfgang von. Symbolum (1815), in Gedichte.
  • BOYLE, Nicholas. Goethe: The Poet and the Age. Oxford: Clarendon Press, 1991–2000.
  • GOULD, Robert Freke. The History of Freemasonry. Londres, 1882–1887.
  • MACKEY, Albert G. Enciclopédia da Maçonaria.

Fonte de referência histórica: Maçonaria (Wikipédia).

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